Bobo

em sábado, outubro 19, 2013
Me viciei naquela canção
Que você fez pra ela
Pra dizer que o amor
Foi pela janela e não sabe, não
Se um dia volta para o coração

Aquela letra que você riscou
Pra mostrar que tudo
Ainda não acabou
Que a vida nada pode oferecer
Se não se coloca para receber

Esses versos bobos
Que eu sei que outros
Poderiam até escrever
O amor dá nisso quando ele acaba
Faz você dizer, pensar que há mais nada

(Karol Coelho)

Porque nem sempre se consegue manter o coração a sete chaves quando o relógio bate meia-noite

em sexta-feira, agosto 09, 2013
Tic tac. Tic tac.
Meia-noite.
Meu bem, é chegada a hora de devanear.
Desculpe-me, mas preciso dizer-te umas três mil e uma coisas desconexas, ou talvez apenas complexas sobre um gostar demasiado, uma saudade doída, tão doída, que penso que meu coração vai explodir qualquer dia desses.
Desculpe-me, meu bem, meu bem que não faz sequer a mais pequena ideia da imensidão de felicidade que me proporciona umas poucas horas ao seu lado.
Desculpe-me, mas quero dizer-te tantas coisas, mas tantas e tantas.
Eu te amo? Talvez. É possível. É bem possível. 
Meu bem, eu não sei de muita coisa nessa vida, de muita coisa mesmo, mas de uma eu sei com tanta certeza, mas tanta, que chega a doer toda a minha alma: preciso de você nos meus dias. Repentinamente, você virou uma necessidade básica. E, confesso, eu estou morrendo aos poucos por conta dessa sua ausência. Onde você está?
Por favor, volte. Volte correndo e sorrindo, porque preciso de você, do seu sorriso, da sua alegria, da sua doçura. Volte, porque você transforma um simples dia, com coisas triviais, em algo encantador e empolgante. Porque você é puro encantamento e doçura. Porque eu quero muito tocar o seu rosto e enlaçar você num abraço mais do que demorado. Porque eu quero sentir o seu cheiro e tentar registrá-lo na minha memória, pra nunca, nunca mais esquecer. 
Porque você me faz bem como ninguém jamais fez ou faz.
Volte, peço-te, volte. Mas volte logo, por favor, meu bem, meu amor.


Erica Ferro

Insônia

em domingo, junho 30, 2013
É como se estivesse sendo sufocada.
Sentia um nó na boca do estômago, um calafrio na espinha e uma necessidade incessante de respirar fundo - como se pra comprovar que ainda estava viva.
Não conseguia encontrar uma posição pra dormir, 3, 4, 5 da manhã e nada. Os pensamentos davam loopings em uma balança do que havia acontecido até aquela noite e o que ainda estava por vir, entrecortados por uma imaginação fértil que começava a desenhar coisas onde não havia nada, alucinações? 
Sentou-se, abriu o notebook e resolver escrever, para ver se aquela sensação passava.
Lá fora, a escuridão iluminada apenas pela lua e pelas estrelas, o som pausado do murmurar dos grilos, e o sussurrar de um vento fraquinho que vibrava aqui e ali. Lá longe, o uivar de um cachorro, talvez se sentindo tão solitário quanto ela. Um carro ou uma moto passava vez ou outra.
Era, mais uma vez, o início de uma mudança que não sabia onde poderia desembocar. O não saber pra onde ir, o que fazer, onde se enfiar.
Sabia que não era a única insegura. Já no seu ciclo de amigos os sintomas eram claros e assustadores, agudos.
Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas, sufocados em um choro que ela estava terminantemente decidida que não iria acontecer. Não iria fraquejar, não no meio da madrugada e sozinha para sentir-se ainda mais só.
Respirou fundo, enxugou as lágrimas não seguradas e se auto-diagnosticou: crise de ansiedade. Crise do quarto ano. Crise dos vinte e poucos. Crise do fim de um ciclo. Crise.
Letícia Christmann

Por um tempo

em sábado, junho 08, 2013
Por um tempo eu morri
Sim! Me calei!
Não olhei nos olhos de ninguém
Não sorri para o meu bem

Por um tempo eu morri
Sim! Me fechei!
Fiquei sozinho numa sala escura
Não queria sair na rua

Por um tempo eu morri
Sim! Mas chorei!
Meu coração ainda batia
Não me perguntaram o que havia

Por um tempo eu morri
Sim! Mas renasci!

Não me calo
Olho nos olhos
Sorrio e me faz bem

Me abro
Acendo a luz
E saio todo dia também

Não choro
E o coração animo
Quero mesmo me manter vivo!


(Karol Coelho)

Meu feriado

em quinta-feira, maio 30, 2013
Meu feriado é ele que me tira do caos de cada dia pra me fazer um cafuné.
É seu beijo, seu abraço, seu carinho que me tira o peso da consciência por dar um tempo no itinerário.
Meu feriado é seu sorriso que me dá descanso da agenda, das anotações, dos lembretes.
Meu feriado começa no momento em que o encontro.
Pode ser segunda ou quinta-feira. Pode ser agora.

(Karol Coelho)

Travesseiro

em quarta-feira, maio 29, 2013
Quando você se foi,
Eu dormi uma semana abraçada com o travesseiro que você usava,
Tinha seu cheiro.
Na semana seguinte,
Seu cheiro já havia ido embora, como você,
E eu seguia dormindo abraçada com o mesmo travesseiro,
Por saber que você havia dormido nele por algum tempo.
Depois,
O travesseiro parecia seu corpo,
E eu dormia abraçada nele imaginando você me abraçando naquelas noites geladas.
Mais tarde,
Eu ainda dormia abraçada nele, por rotina,
Ou quem sabe porque não conseguiria dormir sem abraçar seu travesseiro.
Seu travesseiro, veja, continuava a pensar em você antes de dormir.
Hoje,
Não te associo mais com o travesseiro,
Vejo que é bom que você tenha ido...
O que vira rotina, morre.
E esse travesseiro na minha cama é muito mais confortável que você na minha vida.

Um desabafo.
Letícia Christmann

Morte versus Vida

em quarta-feira, maio 22, 2013
Você sente o peso da vida diante da morte

A morte deixa marcas na vida
A vida evita a morte
A morte aterroriza a vida
A vida luta contra a morte
A morte dá o sono à vida
A vida não quer nada da morte
A morte quer tomar para si a vida
A vida não quer se dar à morte
A morte quer o chôro da vida
A vida não sonha nem com o sorriso da morte

Inevitável é a vida para quem nasceu
Inevitável é a morte para quem viveu


(Karol Coelho)
 
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