Se alguma vez você pensar em mim, não se esqueça de lembrar que eu nunca te esqueci!

em segunda-feira, julho 13, 2009
A distância - Roberto Carlos

Composição: Roberto Carlos / Erasmo Carlos

Nunca mais você ouviu falar de mim
Mas eu continuei a ter você
Em toda esta saudade que ficou...
Tanto tempo já passou e eu não te esqueci.

Quantas vezes eu pensei voltar
E dizer que o meu amor nada mudou
Mas o meu silêncio foi maior
E na distância morro
Todo dia sem você saber.

O que restou do nosso amor ficou
No tempo, esquecido por você...
Vivendo do que fomos ainda estou
Tanta coisa já mudou, só eu não te esqueci.

Eu só queria lhe dizer que eu
Tentei deixar de amar, não consegui
Se alguma vez você pensar em mim
Não se esqueça de lembrar
Que eu nunca te esqueci

***

E a paixão que corre em minhas veias, bombeia meu coração e meu corpo, é imensurável.

Postado por Erica Ferro

E tudo mudou...

em domingo, julho 12, 2009
E tudo mudou...

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo
O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas diferenças

(Luís Fernando Veríssimo
)

***

Precisa dizer mais alguma coisa? Não, né?! Reflitam!

Postado por Erica Ferro

Sociedade dissimulada e sugadora!

em sábado, julho 11, 2009

Sociedade

O homem disse para o amigo:
– Breve irei a tua casa

e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
– Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
– Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: – Que idiota.

– A casa é um ninho de pulgas.
– Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.

(Carlos Drummond de Andrade)

***

Postado por Erica Ferro

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

em sexta-feira, julho 10, 2009
"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

(Clarice Lispector)

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Compreenda as incompreensões e ame.

Postado por Erica Ferro

Algo sobre alguma coisa

em terça-feira, julho 07, 2009
Você não vai receber outra vida como esta.
Você nunca mais vivenciará o mundo extamente desta maneira,
com esses pais, filhos, familiares e amigos.
Nem experimentará a Terra com todas as suas maravilhas
novamente neste período da História.
Não espere o momento em que desejará dar uma última olhada
no oceano, no céu, nas estrelas ou nas pessoas queridas.
Vá olhar agora.
(Elisabeth Kübler-Ross e David Kessler)

Somos transição, somos processo. E isso nos perturba.
(Lya Luft)

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca achareique a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.
(Fernando Pessoa)

Desejar para si uma vida sem dor
significa desejar morrer.
(Dorothe Sölle)

Diante de tudo o que aconteceu na sua vida,
você pode chorar sobre a sua sorte
ou perceber o quese passou como uma ocasião favorável.
Tudo o que advém pode ser visto ou como uma possibilidade
de crescimento ou como um obstáculo ao seu desenvolvimento.
Definitivamente, é você, e mais ninguém, que tem o poder de escolher.
(Wayne Dyer)

Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
que já tem a forma do nosso corpo
e esquecer nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmo lugares.
É o tempo da travessia.
E se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado para sempre
à margem de nós mesmos.
(Fernando Teixeira de Andrade)

Postado por Letícia Christmann

Amor é dado de graça! ♥

em
As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

(Carlos Drummond de Andrade)


P.s: Hoje queria ter escrito algo útil. Mas a inspiração e a vontade se renderam á preguiça. Preguiça, um mal que me domina. Mas tenho lutado para vencer esse mal, amém.
Esse poema do Drummond é lindo. Acho que a maioria das pessoas que gosta de ler conhece (ou não). Sempre tem a possibilidade do não, mas, enfim. Se não conhece, conhecerá. Arrisco a dizer que gostará.
"Amor é primo da morte, e da morte vencedor". Lindo!
Amanhã espero vencer a preguiça, e venho aqui, devanear um pouco. É sempre bom, me faz bem.

Postado por Erica Ferro

Ela tem que ser a conclusão de um desenvolvimento proveitoso...

em domingo, julho 05, 2009
E quando o nome dela é mencionado, gritos saem de gargantas, cabelos se arrepiam, corações disparam, mãos tremem, pernas perdem o equilíbrio.
Ela é temida. Mas até agora não entendi bem o porquê, se nada se sabe mesmo dela. Então como podemos temer tanto uma coisa que nem sequer conhecemos?
O que dizem é que ela é a última coisa que nos acontece.
Ela tem várias faces: a surpreendente, rápida e fatal; a torturante, demorada e fatal. De todo modo ela é fatal. Não tem como escapar, se esconder, enganá-la.
Não sei quando a conhecerei. Não sei qual face ela irá me mostrar.
Tenho medo, confesso. Mas também tenho curiosidade. Mas é uma curiosidade calma, paciente. Não faço questão de conhece-la hoje, agora. Até porque eu gosto bastante da sua maior rival - Vida. Diria até que eu a amo. A Vida acha que não, que é pura conversa fiada. Diz que eu não dou o devido valor à ela. Sei que tenho feito pouco para honrá-la, aproveitá-la. Ela pede que eu a conheça mais, sempre mais. Disse que tem uma infinidade de coisas pra me mostrar, pra me ensinar, pra eu desfrutar. Já disse que quero, mas é um querer sem ação, um querer preguiçoso. E a rival da Vida ri muito de mim por isso. Me chama de covarde. Diz que não terá muito trabalho comigo, pois que eu, aos poucos, a cada dia, já estou fazendo o trabalho dela. E o medo de não ser, de não ter, de não conquistar, de me machucar, de me estraçalhar, é o que me mata um pouco a cada dia.
E, um dia, finalmente, ela vem risonha e diz: Cheguei.
Mas não, definitivamente não. Não vou deixar que ela venha e me encontre caída e derrotada. Vou me jogar nos braços da Vida. Sim, vou colocar esse meu medo numa água fervente e deixarei ele evaporar no ar. E um ar puro, o ar do campo, vou respirar. Vou sentir o cheiro das flores, sentir suas pétalas macias. Mas, claro, terei cuidado com os espinhos. Se me ferir, não vou deixar de ter encanto pelas flores. Não mesmo. Vou curar as feridas e continuar andando pelos caminhos da Vida.
A Morte será a conclusão de uma vida realmente vivida. Uma vida que teve gosto, mesmo em meio a desgostos. Pois quando se conhece o desgosto, se aprecia bem mais o gosto gostoso.
Vida, me espera. Estou indo com fome de ti, com uma voracidade que você nunca viu em mim.

(Erica Ferro)
 
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