Novos Horizontes - Engenheiros do Hawaii

em quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Corpos em movimento
Universo em expansão
O apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais
Vamos dar um tempo
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar

Novos horizontes
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar
Suspender a queda livre
Libertar
O que não tem fim sempre acaba


Postado por Letícia Christmann

Medo

em terça-feira, fevereiro 09, 2010
A gente sempre tem medo,
mas não diz.
A gente tem medo de crescer.
E de continuar pequeno.
A gente tem medo de amar.
E de não conseguir amar alguém.
A gente tem medo de sair de casa.
E de viver sempre com os pais.
A gente tem medo de encontrar companhia no caminho.
E de sempre ter que caminhar sozinho.
A gente tem medo de sofrer.
E de ser feliz de verdade.
A gente tem medo de criar um filho.
E de não ter alguém parecido com a gente.
A gente tem medo de magoar alguém.
E de ser magoado.
A gente tem medo de morrer.
E de ser imortal.
A gente tem medo de ter medo.
E de ter coragem demais.
Mesmo quando se tem um sonho,
a gente sente medo ao realizá-lo.
O ruim é não ter coragem pra vencer o medo.
Karol Coelho

Histórias que nos contam na cama

em segunda-feira, fevereiro 08, 2010
OBS - Carreguem o vídeo e ouçam a música quando forem ler. A sensação é mágica.
(Inspirado em Ana e o Mar)

Reza a lenda que a menina andava pela beira da praia recolhendo espelhos partidos, conchas amarelas e estrelas de cinco pontas. Chamava-se Ana, a meninca de cândido semblante. As ondas induziam cavalos-marinhos a fazerem cócegas nos seus pés. A maré mudava de acordo com o relógio biológico dela. E os pescadores das redondezas costumavam consultar o horóscopo da menina antes de conduzir suas embarcações. Corria a boca pequena que a paixão do Mar por Ana sincronizava o ritmo e o som das águas. Era realmente um atrevimento, um despautério aquele caso de amor. Ninguém concordava ou achava possível que aquilo pudesse ter um final feliz. Eis que, certa vez, uma Ana decidida subira até o ponto mais alto da Ilha. Estava resolvida, a menina. De cima da pedra, saltou. Espalhou-se na imensidão que tanto a encantava. Conta a lenda que, deste dia em diante, o Mar nunca mais foi o mesmo. Suas ondas pareciam margear o olhar de Ana derramado. Suas águas traziam o cheiro e o gosto do amor da menina: tudo nele era salgado. O fenômeno causou estranheza em todos na pequena Ilha. Inexplicavelmente, o Mar carregava agora azul sob a pele e sal sobre as águas. O mesmo sal do amor da menina. O mesmo azul do olhar outrora derramado.

(Por Maíra Viana em O Teatro Mágico em Palavras)





Ps. Os dias parecem sem fim, e a sensação de perda cada vez mais apavorante. Seguir em frente, é o lema dos últimos dias. Aproveitar, antes que tudo acabe rápido demais... É, lidar com um coração apertado não é fácil, fica tudo fora do lugar. E, por vezes, eu me perco dentro de mim. A vida é escolhas, e quando se trata de escolher, dói. No fim, tudo vai dar certo.
Postado por Letícia Christmann

Poemeu - A superstição é imortal

em sábado, fevereiro 06, 2010
Quando eu era bem menino
Tinha fadas no jardim
No porão um monstro albino
E uma bruxa bem ruim.

Cada lâmpada tinha um gênio
Que virava ano em milênio
E, coisa bem mais perversa,
Sapo em rei e vice-versa.

Tinha Ciclope,Centauro,
Autósito, Hidra e megera,
Fênix, Grifo, Minotauro,
Magia, pasmo e quimera.

Mas aí surgiram no horizonte
Além de Custer e seus confederados
A tecnologia mastodonte
Com tecnologistas bem safados
Esses homens da ciência me provaram
Que duendes, bruxas e omacéfalos
Eram produtos imbecis de meu encéfalo.
Nunca existiram e nunca existirão:
uma decepção!

Mas continuo inocente, acho.
Ou burro, bobo, ou borracho.
Pois toda noite eu vejo todo dia
Tudo que é estranho, raro, ou anomalia:
Padres sibilas
Hidras estruturalistas
Ministros gorilas
Avis raras feministas
Políticos de duas cabeças
Unicórnios marxistas
Antropólogas travessas
Mactocerontes psicanalistas
Cisnes pretos arquitetos
Economistas sereias
Democratas por decreto
E beldades feias
Que invadem a minha caverna
E me matam de aflição
Saindo da lanterna
Da televisão.

Millôr Fernandes



Isso, hoje, fala por mim.

Postado por Erica Ferro

Juuuntas!

em quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Juntas...

Transformamos o tédio em melodia.

A tristeza em alegria.

Fazemos música do nosso jeito.

Desafinamos o quanto quisermos.

E ninguém tem nada a ver com isso!

Juntas...

Nossas lágrimas viram vida.

Nossa vida vira festa.

Fazemos mágica sem magia

E fazemos da distância um nada, um Zé ninguém.

Juntas...

Transformamos o drama em comédia.

Conseguimos fazer todos rirem com a gente (ou da gente).

Dançamos em baixo da chuva.

E mostramos pro mundo que brilhamos mais que o Sol.

A vida vira um palco sempre que estamos juntas !

Karol Coelho
Esse poema foi feito dia 22/01/2008 para minha melhor amiga, Vanessa Cruz. Ela morava próximo a mim e fazíamos tudo juntas. Já nos afigamos juntas, já choramos, já sorrimos. Deus se revelou para nós e ela sempre dormia em minha casa. Até que ela se mudou. Mas, a distância não é nada pra nós duas. Ela ainda continua sendo a única amiga com quem divido meus maiores medos e constrangimentos e alegrias. E ela está essa semana aqui comigo. Veio me ver. Sempre nos esforçamos pra isso. E NADA MUDA! Quer dizer, o que muda é só o nosso amor, que cresce cada dia mais. E a distãncia só serviu pra vermos que nossa amizade é verdadeira. São 4 anos de amizade!

Reaprender

em terça-feira, fevereiro 02, 2010
A bandeira tremulava no último andar do edifício mais alto, e era a maior bandeira que a cidade já tinha visto.
Aquele edifício era famoso pelos seus ensinamentos, pelas frases que vira e mexe eram impressas na sua extensão. Mas, toda vez que a bandeira aparecia, e eram raras as vezes, sabiam que o conselho precisava ser seguido com urgência.
Naquela manhã, encostou a porta depois de uma noite inteira de trabalho, respirou fundo, tomou banho, se secou com a toalha desbotada, e foi dormir. Não tinha fome, não tinha medo, não tinha sono, não tinha sorriso, não tinha cor. Tinha o coração carregado de tristeza, os olhos tomados pelo vazio. As janelas do apartamento continuavam todas fechadas. A luz do dia incomodava, lembrava a cor dos cabelos dele.
O fato é que o marido a deixara há quase uma semana, e ela até agora não sabia porquê, ou pra onde fora. Olhou para ela quando chegou de mais um dia de trabalho e disse apenas: "Estou indo embora e a partir de hoje, considere-se solteira. Os papéis chegarão logo para você assinar." Foram 5 anos de casamento, os 5 mais felizes da vida dela, e ao mesmo tempo, os mais confusos. Quando ela estava feliz, ele estava triste. Quando ela estava triste, ele feliz. Quando estavam ambos indiferentes, o clima era frio, desagradável. Nunca parecia certo, nem pra um, nem pra outro. Era um casamento onde a felicidade de um era alimentada pela tristeza do outro. A consequência disso foi a separação abrupta.
Daqui uns anos, tal separação faria bem para ela. Mas a convivência, a divisão da vida com um outro alguém, o compartilhar da cama... Ela sentia falta disso.
Enquanto tentava dormir, filmes e imagens passavam pela mente da mulher, que chorava não pela tristeza, mas pela solidão.
Resolveu levantar, abrir as cortinas, deixar o dia entrar. Não ia conseguir dormir de qualquer maneira e talvez o sol a animasse.
Quando viu a bandeira pendurada a uns dois prédios a frente, entendeu que devia haver mais ou menos uma semana que ela estava pendurada ali, com a mensagem para ela, para a cidade, para o mundo, que vinha escrita em branco com o fundo preto:
"Precisa-se, com urgência, reaprender-se a amar."
E concluiu, com o pijama desbotado, a escova de dentes esgarçada e o sorriso amarelado, que ela precisava reaprender a viver.

Letícia Christmann

Formato mínimo

em segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Formato Mínimo - Skank

Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima

Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo

Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido

Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida

O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica

Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo, a vítima

Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico

Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão, a rúbrica







A letra dessa música é pura poesia, concordam? E me lembra a forma que uma pessoa que eu admiro muito (e gosto muito, secretamente, claro) escreve.
Melhor encerrar por aqui, antes que eu acabe revelando o que eu não posso revelar.

Postado por Erica Ferro
 
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