A minha vez

em quarta-feira, novembro 24, 2010
Estou aprendendo, cada dia mais.
Aprendendo que as pessoas são eternas da melhor maneira que elas poderiam ser, e com o espaço que permitimos.
Antes tinha a ideia que as coisas acabavam e a dor ficava, comprometendo. Um tempo a mais de vida, de vivência, de dores e de sorrisos, vejo agora que a continuidade acontece dentro da gente, um dia após o outro, a lembrança é nova, o sorriso é outro, a realidade muda.
Amores novos, amigos novos, companhias novas. Sorrisos velhos, lembranças velhas, saudades velhas.
Aprendendo, a cada dia, que as coisas mudam. E como boa historiadora entendo: é na mudança que está o objeto da História.
E é assim que eu vou seguindo, um sorriso aqui, uma saudade ali, um amor agora. Intensidade acontece, paixão acontece, afinidade acontece. Mas, só acontece quando a gente deixa acontecer.
Eu quero minha História completa, interessante. Altos, baixos, lágrimas, sorrisos, dúvidas, clímax. Quase um roteiro de filme.
Aprendo, a cada dia, que não se pode deixar de viver. Viver é essencial para sentir.
Estou em plena fase de desenvolvimento.
Tem alguém escrevendo minha História aí?
"Nihil durare potest tempore perpetuo
Nada pode durar eternamente
Cum bene sol nituit, redditur oceano
Embora ainda brilhe forte o sol, volta-se para o Oceano
Decrescit Phoebe, quae modo plena fuit
Febe (Lua) diminui logo após sua cheia.
Sic Venerum feritas saepe fiti aura leuis
Assim, a ferocidade das paixões transforma-se, com frequência, em brisa suave."
(REG IX - traduzido por Pedro Paulo Funari)
Letícia Christmann

Por que? Por que? Por que? ♫

em sexta-feira, novembro 19, 2010

Gospel - Raul Seixas

Por que que o sol nasceu de novo e não amanheceu?
Por que que tanta honestidade no espaço se perdeu?
Por que que Cristo não desceu lá do céu e o veneno só tem gosto de mel?
Por que que a água não matou a sede de quem bebeu?

Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?
Por que que a sala fica sempre arrumada se ela passa o dia inteiro fechada?
Por que que eu tenho caneta e não consigo escrever? (escrever)

Por que que existem as canções e ninguém quer cantar?
Por que que sempre a solidão vem junto com o luar?
Por que que aquele que você quer tão bem já tem sempre ao seu lado outro alguém?
Por que que eu gasto tempo sempre, sempre a perguntar? (perguntar)

Por que que eu passo a vida inteira com medo de morrer?
Por que que os sonhos foram feitos pra gente não viver?
Por que que a sala fica sempre arrumada se ela passa o dia inteiro fechada?
Por que tenho caneta e não consigo escrever? (escrever)

Por que que existem as canções e ninguém quer cantar?
Por que que sempre a solidão vem junto com o luar?
Por que que sempre aquele que (você) quer tão bem já tem sempre ao seu lado outro alguém?
Por que que eu gasto tempo sempre sempre a perguntar? (perguntar)

* * *
Postado por Erica Ferro

Adoro essa música! Tais indagações sempre
passam por minha cabeça. Canta, Raul! Canta! Indaga!
Descreve-me!

*desculpem a ausência, mas eu voltei!

Ela sorria...

em sábado, novembro 06, 2010
A garota sorria por estar na companhia dele.
Sorria quando o via, quando o beijava, quando bebiam juntos.
Sorria quando pegavam ônibus, quando observavam algo bizarro, quando expulsavam a minhoca do box do banheiro.
Sorria quando deitava no peito dele, quando assistiam filmes, quando faziam planos pro futuro.
Sorria por poder abraçá-lo, por ouvir a voz dele bem perto do ouvido, por poderem conversar sobre qualquer coisa.
Sorria porque acreditava conhecê-lo a muito tempo, e a cada dia descobria algo novo.
Sorria porque os planos surgiam e se dissipavam da maneira mais cômica possível.
Sorria porque tinham paixões parecidas, e ao mesmo tempo completamente distintas.
Sorria porque era assim que seguia, de mãos dadas ou não, aprendeu a andar...
E por fim, como ele mesmo dizia:
Sorria... Afinal, "amores são sempre amáveis".

Letícia Christmann

Mais um pouco...

em terça-feira, outubro 19, 2010
Não era possível, as coisas tinham que estar acontecendo por algum motivo. Os fatos repetidos, as dores repetidas. Algo tinha que estar errado, ou muito certo na vida dela.
Sentou-se naquele banco circular (bem podia ser um balanço!) e pôs-se a pensar como as coisas estavam acontecendo, e porquê. As decisões tinham que partir dela. Mas acreditava que alguém estava brincando de traçar o destino dela, uma brincadeira bem sem graça, por sinal.
As coisas estavam certas, tinham que estar. Não havia muitas opções além. A vida não é brincadeira. E é muito curta pra fazer todas as coisas que queria fazer.
Entendeu a dor dele, sentia a mesma dor em si, de novo e de novo. O verdadeiro problema é que sempre ela que ficava com as lembranças, com as cartas, os bichinhos de pelúcia, as fotos, o cheiro, os momentos a dois, o relance o espelho, o mesmo lugar no banco, na sala, na vida. Ela que era obrigada a lembrar todos os instantes, todos os momentos. E sentir a dor se agudar, de novo e de novo.
Era assim, seguia assim. Uma dor ali, uma cicatriz aqui, uma lágrima acolá.
Viver é isso. Esse dorme e acorda. Sentir e não sentir. Querer e não acreditar. Decidir e ter que aceitar.
O melhor de tudo: mais um cheiro, mais um sorriso, mais um olhar, mais uma briga, mais uma vontade de abraçar em seu ser. Por fim, mais uma saudade.

"A Estrada em frente vai seguindo
Deixando a porta onde começa.
Agora longe já vai indo,
Devo seguir, nada me impeça;
Em seu encalço vão meus pés,
Até a junção com a grande estrada,
De muitas sendas através.
Que vem depois? Não sei mais nada."
J. R. R. Tolkien
Letícia Christmann

Um dia de aventura.

em quarta-feira, outubro 13, 2010
A menina, que até então tinha medo, se mantém segura, esquecendo-se de tudo por apenas um carinho. O desejo é declarado ao pegar em sua mão.
Assim permanece o dia. Só na aventura do desejo insaciado, do olhar entregado, do sorriso discreto perdido na brincadeira.
É hora de ir, mas mesmo com o tempo avançado, vem a desculpa para dar uma escapada. Era a hora, só podia ser essa a hora. O tempo criado para arriscarem seus corações, colocando-os em um poço de saudade dado pelo beijo que fizera da espera de uma tarde juntos, se transformar em nada perto da distância que agora têm que enfrentar.

Karol Coelho

O quadrado dos catetos

em quinta-feira, outubro 07, 2010
Nivaldo Pereira
Crônica publicada no jornal Pioneiro, 23/07/2010

A soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Hipotenusa? Como é mesmo o nome daquela loura que cantou doidona o hino nacional? Não é bem Hipotenusa, mas algo assim. O povo riu e criticou, mas aquele hino nacional na versão da tal Hipotenusa é a cara da relação de muitos políticos com o Brasil. Hum, isso pode ser tema da redação.
Memorize, memorize... A soma do quadrado dos catetos... Cateto não é um tipo de arroz? Arroz quadrado? Só se for daqueles italianos, para risoto. Como será que fazem para o grão ficar assim, cortadinho? Deve ser algum truque transgênico. Opa, esse lance transgênico pode ser tema da redação. Os naturebas não querem nem saber disso. Ah, mas eles comem aquele arroz integral grudado... Gente estranha!
Vamos lá, teorema de Pitágoras. Grego tem cada nome esquisito e enorme! É Anaximandro, Parmênides, Eurípedes, Aristóteles, Arquimedes. O tal Platão, apesar de terminar em ão, deve ser um diminutivo. Platão! Parece o Cebolinha pedindo um prato grande: quelo um platão. Um platão de lisoto de aloz cateto...
Arre! De novo: em qualquer triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa... Pera lá! Se é triângulo, como pode ser retângulo? Isso eu sei muito bem a diferença. Um tem três lados, o outro tem quatro. Cadê a lógica? Depois querem que a gente aprenda matemática. Os caras viajam! Devem tomar as mesmas boletas da dona Hipotenusa... Esse teorema de Pitágoras devia se chamar teorema LSD. Ou teorema do Chapeleiro Maluco. Um triângulo que é retângulo? Deu nó aqui, deu nó...
Melhor pegar um pouco de biologia. A célula é a unidade funcional dos seres vivos. Núcleo, citoplasma, mitocôndria... Ah, tinham que esculhambar. Mitocôndria deve ser nome de grega. Dona Mitocôndria, mulher de seu Alcebíades... Complexo de Golgi! Sim, tadinha, traumatizada com o nome horrível, dona Mitocôndria sofria com o Complexo de Golgi! Ui, com essa, escorreguei no vacúolo, caí no zigoto!
Cadê as outras apostilas? Química. Física. Literatura. Geografia. É melhor dar um tempo. Ser inteligente agora é descobrir onde a mãe escondeu meus patins.

*Conheça o blog do Nivaldo Pereira clicando aqui.

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Já disse por aqui o quanto admiro o Nivaldo, não é?
Pois aí está mais uma crônica genial dele.
Espero que gostem.
E me desculpem pela ausência aqui no Pensamentos Devaneantes.
Sem promessas, mas espero que eu volte a postar frequentemente, como antes.



Postado por Erica Ferro


O mesmo de sempre

em terça-feira, outubro 05, 2010
Não entendia como o mundo poderia dar tantas voltas. Uma hora tão feliz, outra tão perdida e, por fim, triste, muito triste.
As coisas se acertam quando não deveriam se acertar. As coisas erradas parecem mais certas nesse mundo sem amor. Ou com amor demais, que de tanto não caber em si, acaba fugindo.
Não entendia como poderia ter se ligado tanto à mais alguém. Mais um alguém que se vai assim, sem mais nem menos. Amar, acompanhar, ter alguém... São coisas da cultura ocidental, que não faz muito sentido quando começa a estudar o surgimento. Mas ainda assim, se fazem necessárias para quem sempre esteve inserida nela.
Tinha medo de muita coisa, mas lembrava que o ter medo era relativo.
Aquelas sensações esquisitas haviam parado há algum tempo. E agora voltavam.
O mesmo aperto no peito de saudade.
A mesma vontade de ver, abraçar e não sair de perto.
A mesma disponibilidade de amar, e ser correspondida.
Nada estava dando muito certo.
Mas afinal, o que deveria dar?
Via tudo errado à sua volta.
E não parecia que as coisas iam se acertar.
Tudo, por fim, continuava errado igual sempre.

"Um dia desses, num desses encontros casuais...
Talvez a gente a se encontre, talvez a gente encontre explicação..."
(Engenheiros do Hawaii)
Letícia Christmann
 
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