Por quê?

em quinta-feira, agosto 09, 2012
- O que há com você, moça? Tá diferente. 
- Diferente como?
- Não sei... meio triste, meio calada, meio... amarga.
- Triste? Calada? Amarga? É, eu ando meio triste, por isso ando calada. E, olha, eu não sou diamante negro, mas ando meio amarga. Mas... você pergutando isso? Pensei que não se importasse comigo, com o que eu sinto. 
- Por que você achou isso? 
- Porque você é o motivo da minha tristeza, do meu súbito silêncio e desse meu amargor. Tudo o que você tem feito é pra me deixar triste, pra me machucar. Você sabe disso. Só não entendo a razão. Você gosta de me ver penar? Você sabe dos meus sentimentos, e por que pisa neles? Por quê? Se não os corresponde, pelo menos não desdenhe deles. Agora eu é que pergunto: o que há com você, moço?

Erica Ferro

A Lista

em sexta-feira, julho 27, 2012
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás 
Quantos você ainda vê todo dia 
Quantos você já não encontra mais... 

Faça uma lista dos sonhos que tinha 
Quantos você desistiu de sonhar! 
Quantos amores jurados pra sempre 
Quantos você conseguiu preservar... 

Onde você ainda se reconhece 
Na foto passada ou no espelho de agora? 
Hoje é do jeito que achou que seria 
Quantos amigos você jogou fora? 

Quantos mistérios que você sondava 
Quantos você conseguiu entender? 
Quantos segredos que você guardava 
Hoje são bobos ninguém quer saber? 

Quantas mentiras você condenava? 
Quantas você teve que cometer? 
Quantos defeitos sanados com o tempo 
Eram o melhor que havia em você? 

Quantas canções que você não cantava 
Hoje assobia pra sobreviver? 
Quantas pessoas que você amava 
Hoje acredita que amam você? 

(Oswaldo Montenegro)
Precisa dizer mais alguma coisa?


Postado por Letícia Christmann

é assim mesmo

em domingo, julho 15, 2012
eu não deveria
mas eu sinto a tua falta
eu te quero perto
bem perto
sempre

eu não sei
mas acho que eu te amo
acho que eu te amo muito
acho que eu te amo tanto
tanto...

perco a noção do quanto
é que eu te amo de um jeito tão louco
tão imenso

eu te quero aqui comigo
agora e sempre

parece romântico demais, eu sei
bobo demais, também sei
mas é que o amor é assim mesmo

e das bobas apaixonadas eu sou a maior

(Erica Ferro)
 

Eu hoje tive um pesadelo,

em domingo, junho 24, 2012


Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou consolo..
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei.
Nem reclamei abrigo.
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro.
Senti um abraço forte, já não era medo.
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás...
Ney Matrogrosso - Poema

Mais uma daquelas músicas que, 
por hoje,
 falam por mim...
Postado por Letícia Christmann



A bicicleta

em sábado, junho 02, 2012

Andava devagar pela avenida. Ouvia o rangido da corrente da bicicleta, precisava passar alguma graxa ali, mas era apenas uma constatação inútil. A brisa batia levemente no rosto, o Sol estava se pondo, algumas folhas caíam das árvores, tornando o espetáculo ainda mais bonito. Resolveu comprar um suco, destes que juntam laranja, maracujá e abacaxi e fica bom, e sentou em algum banco, a fim de observar o espetáculo.Sentia-se sozinha, a escuridão crescente trazia consigo o frio da noite, e então notou que a bicicleta não tinha os adesivos luminosos. Era perigoso voltar pra casa assim, depois do escurecer. O suco, no fim, parecia mais ácido, áspero, inconsumível.
A noite trazia consigo aquele frio na barriga, aquela necessidade de um abraço forte, das mãos dadas, dos olhares presos um no outro. Enfim, aquilo que o coração pede e que só um outro corpo pode oferecer.
Olhou novamente a bicicleta: precisava fazer uma revisão, urgente. Graxa, adesivos luminosos... Quem sabe trocar os pneus, dar uma arrumadinha no pedal, ou até trocar a cor... Os adesivos de borboletas já estavam meio desbotados, a cor, antes um preto brilhante, fosco. Até os freios estavam desgastados, que perigo!
Percebeu a si própria... Cada mudança na bicicleta deveria ser espelhada numa mudança de si mesma. Renovar, reinventar... 
(R)Evolução!

Letícia Christmann

Do impossível

em terça-feira, maio 22, 2012
Cansei-me dessa vida fel
Transmutei tudo em mel

Joguei fora as minhas flores de papel
Plantei lírios
Colhi margaridas
Cheirei rosas

Comprei um litro de vinho
Me embriaguei com poesia

Sonhei amando-te sob a luz do luar
No meu delirante sonho, eras meu

Acordei em prantos
Toda desencantos
Com o gosto amargo do impossível
no céu da boca

Erica Ferro

Estação

em sexta-feira, maio 04, 2012
- Tomou um chá de sumiço!!
Desesperada ela olhava em volta e o procurava, mas por onde os olhos passavam naquela estação de metrô, não o via mais. Virava-se para trás, novamente para frente, observava com atenção as catracas, mas apenas rostos desconhecidos, por todos os lados.
Ele estava ali no instante anterior, aquecendo-a, rindo, brincando. Mas algo se perdeu em pouco tempo, e ela sentia que seu mundo ruíra aos poucos. Por fim, o golpe fatal: ele anunciara que não poderia mais ficar, pegara sua mala e se retirara do mundo dela.
Afinal, onde errara? Se apegara tanto... Amara da melhor maneira que pôde. Não poderia acreditar que eles não foram felizes, ainda que outrora... E que isso não fizera bem para ele também. Porém, o viu se afastar, com a mala em uma mão (em que a aliança não mais brilhava entre os dedos) e ela ficara ali, perdida entre desconhecidos e, quando caíra em si estava agoniada, procurando por ele.
Pode ser que os olhos cheios de lágrimas não a ajudaram a enxergar, a procurar direito. Colocara as mãos nos bolsos, incapaz de arredar os pés da estação. Achara uma carta dele, com poucas palavras:
"Minha querida, estava tudo perfeito demais. O mundo não é assim. Preciso ver o que está errado. E não posso levá-la para o abismo junto comigo. Este é o começo do fim. E precisamos ser fortes nessa caminhada. Me odeie, por favor. Quem sabe um dia não nos encontremos novamente, mais maduros, menos felizes, sabendo de todas as imperfeições do mundo. Eu te amo, pra sempre. E levo seu sorriso, mas também toda sua agonia, raiva e suas lágrimas desse último momento."
Não conseguia odiá-lo. Mas também não o entendia. Enquanto as pessoas passam a vida procurando o grande amor, ele se desfazia de um para descobrir a podridão do mundo. Talvez o amasse mais por causa disso. Mas sentia que ele estava sendo injusto consigo e com ela.
Por fim, pegara o primeiro trem que vira, sentara-se e rumara ao desconhecido. Começaria em outro canto, onde o destino a levasse. O coração sufocado, o olhar distante. 
Nunca mais fora a mesma. Mais um pontinho de tristeza e infelicidade no mundo.
Nunca mais o vira.
"Não esconda a tristeza de mim, todos se afastam quando o mundo está errado. Quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de carinho, força e cuidado. Este é o livro das flores. Este é o livro do destino. Este é o livro de nossos dias. Este é o dia de nossos amores."
(O Livro dos Dias - Legião Urbana)


Letícia Christmann
 
imagem do banner Design