Lya Luft - Canção das mulheres...

em sábado, maio 23, 2009

Canção das mulheres


Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft


***

P.s: Estava navegando pela internet e achei esse texto da Lya. Achei muito interessante, me identifiquei e quis dividir isso com vocês. Espero que gostem.


Postado por Erica Ferro

Meio doida, meio lúcida, as duas coisas juntas!

em sexta-feira, maio 22, 2009
"Há um prazer indiscutível em ser louco, como só os loucos sabem." (Dryden)

Loucura... Doido, quase doido, doido e meio, meio doido.
Acho que me encaixo nessa subdivisão: dos meio doidos.
Às vezes faço e digo coisas que minutos, ou até mesmo segundos depois, me pergunto o por que de ter feito/dito aquilo, porque não é de mim fazer coisas como as que eu faço quando não estou com a minha sanidade perfeita.
É estranho isso. Mais estranho ainda é não ter a certeza da sanidade nem da loucura. Não sei se sou uma maluca com lapsos de lucidez ou uma lúcida com lapsos de loucura.
Mas não é ruim viver assim nessa dúvida. Aproveito muito bem meus momentos lúcidos e os loucos. Nos lúcidos ajo com a razão, às vezes com a emoção, se bem que parte dos sentimentos e emoções são bem loucos e nada racionais. Por isso eu gosto de ser assim: uma louca apaixonada, mas por vezes sou uma mente racionalizante, pensante.
Às vezes sou os dois. Nem me pergunte como é essa junção, o que acontece, o que deixa de acontecer, pois eu não sei, não lembro bem, passa tão rápido. Vem e volta. Volta e vem. Fica.

Certo, vou parar de devanear por hoje, okay? Não falei coisa-com-coisa mesmo.


(Erica Ferro)

***

Pra complementar a postagem, nada melhor do que o vídeo de uma música que tem tudo a ver com malucos, lucidez e loucura:

Raul Seixas - Maluco Beleza



Postado por Erica Ferro

Parte do misto que forma tudo isso;

em quinta-feira, maio 21, 2009
A chuva caiu e alagou o Brasil.
Nem doril dá jeito. A gripe suína se espalha, mas não ponha a culpa no porco.
Morte cerebral, um corpo morto, uma infância interrompida. E o mal grita: maravilha, maravilha!
A matança, a violência, a falta de esperança. Tudo num volume crescente, num crescente volume.
E o volume é negativo. A raridade é rara. A esperança se torna escassa. E a gente não sabe mais o que que há, o que vai ser, o que fazer. Uns choram. Outros sorriem. Uns desacreditam. Outros continuam acreditando, mas acreditam pra amanhã se desiludirem. É assim a rotina dos esperançosos: acreditar, se desiludir e acreditar mais uma vez.
Eu vejo uma pessoa chorando pelos cantos. Eu vejo alguém orando ao pé da cama em outro ponto. Eu escuto um gemido esquisito, é frio. Eu ouço um grito, nasce um filho. Eu presencio um sorriso, é a esperança do Brasil.

(Erica Ferro)

Mar vermelho raivoso;

em quarta-feira, maio 20, 2009
Raiva...
Todo mês me dá uma raiva sem razão, sem lógica. Mas é uma raiva que, quando é posta pra fora, me faz um bem.
É uma fase que até um simples tilintar de qualquer metal me irrita até a alma. É o mar vermelho. É o sangrar alma e coração, corpo e nenhuma razão.
Não, não estou falando coisas lógicas. Acho que nunca falei.
Só queria apenas falar do mar vermelho, da raiva, do sangrar do corpo, da chama do fogo, do ardor da paixão, de uma raiva mortal, de um amor sem igual.
Romantismo agora não, por favor. Mas se eu quero falar disso, que mal há?
Ah, deixa pra lá. Estou com sono. Mas antes de dormir, vou esmurrar as paredes aqui. Não sei por que, mas me deixa aqui, em paz. Me sinto melhor. É só uma fase. Não sou doida, psicótica, neurótica. Só tenho umas fases meio conturbadas, sombrias, raivosas, metafóricas.
(Erica Ferro)





P.s: Post meio louco, como sempre tem sido os meus últimos.

Postado por Erica Ferro

Soltaram a minha mão...

em terça-feira, maio 19, 2009
No começo, a estrada estava escura. Mas encontrei alguém no caminho, esse alguém também estava sozinho e desiludido, mas essa pessoa tinha uma lanterna. E, o melhor, disse que eu poderia segurar sua mão. Seguimos assim, dois amigos, dois companheiros, compartilhando uma dor, mas um amor... Não, não um amor propriamente dito, um amor amigo. Um companheirismo. Uma amizade.
Mas, de repente, não sei por que, esse meu amigo querido soltou a minha mão, saiu correndo e me deixou sozinha no meio da estrada, no escuro, começou uma tempestade, e muito forte, por sinal. Sentei no asfalto gelado e me lamentei. Minhas lágrimas se misturaram com as gotas de chuva (que não eram poucas). Me odiei um pouco mais. É que eu tinha jurado não confiar em mais ninguém, não aceitar apoio de ninguém, a não ser o meu mesmo. Eu já tinha me machucado demais, já tinha ficado sozinha em várias estradas sombrias e tempestuosas, mas... mas aquele alguém, aquele olhar doce, aquela mão macia e segura, aquela voz que me acalmava, me convidava a seguir com ele. E eu fui, mas no meio do caminho fui abandonada. Como sempre.

É, Erica, vai ser gauche na vida!

P.s: Não liguem muito pra esse post. São só pensamentos devaneantes. Só um desabafo. Eu precisava dizer essas coisas, mesmo que metaforicamente. Me sinto um pouco aliviada, só um pouco, até porque ainda me encontro no meio da estrada escura, parou de chover um pouco. Mas o tempo é tão imprevisível.

Postado por Erica Ferro
em
Noites de outros dias - Cidadão Quem

Hoje quando for dormir
Pense quantas noites já
Se passaram sem notar...
Noites de outros dias!
Amanhã vai trabalhar, talvez almoçar
Pra de noite se deitar de novo e não pensar
Pra que pensar
Se é mais fácil só reagir a tudo?
Pra que lutar
Se é mais fácil correr, fugir de tudo?
Não esqueço, já anoitecerá!



P.s: Vira e mexe, penso nisso... Em quanto tempo já perdi, quando tempo pretendo perder. Sei que muitos também passam por essa fase de perder tempo, ou, de deixar o tempo passar. O tempo é algo tão nosso e a gente deixa ele solto, como se o proveito desse tempo deve ser tirado por outra pessoa e dado à nós. Bem, é só um devaneio meu. Não sei se entenderam esse meu P.s (hehe).

Postado por Erica Ferro.

Acredito!

em sábado, maio 02, 2009
Acredito que a cultura de um povo é tão somente a média do conhecimento da população e, portanto não adianta reclamarmos que vivemos em um país sem cultura, pois a única coisa a fazer para mudar isso é aumentarmos o nosso próprio conhecimento.

Acredito no sexo.

Acredito no amor.

Acredito que você possa ter um ou outro e que os dois não precisam andar juntos para acontecer. Muitas vezes não andam...e as vezes um substitui o outro.
Acredito na rara combinação dos dois para proporcionar uma das experiências mais entorpecentes que o ser humano pode vivenciar. O efeito dura dias.

Acredito no Bem.

Acredito no Mal.

Não acredito, porém que haja uma luta entre eles, pois ambos são lados de uma mesma moeda.

Nós somos moedas.

Você vai confiar e será traído.
Você vai amar e vão brincar com os seus sentimentos.
Você vai pedir ajuda e não será ouvido.

Nós somos moedas.

Vão confiar em você e você trairá.
Você vai brincar com os sentimentos das pessoas.
Você não vai escutar os pedidos de ajuda.
E quando fizer isso, você pensará: “A vida inteira eu só pensei nos outros, agora eu vou pensar em mim”.

Isso não acontecerá apenas uma vez, mas várias.

Nós somos moedas.

Acredito na educação e em seu poder transformador, mas ninguém pode ser transformado sem desejar isso.

Acredito em todas as religiões, pois o que faz a fé das pessoas não deve ser discutido. Não acredito que nenhuma religião tenha respostas para tudo. Todas as religiões têm líderes vivos e líderes vivos são moedas. Os mortos não podem ser julgados.
Eu não acredito que uma religião saiba tanto a ponto de ter certeza que as outras estão erradas.

Não acredito em julgamentos.
Acho que ninguém esta em posição de julgar outras pessoas. Tantos culpados estão livres e tantos inocentes presos.E apesar disso em todo o texto escrito acima eu julgo. Mas eu devo ser perdoado.

Eu sou moeda.

Ivan Geza Borbely
Postado por Letícia Christmann
 
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