Mais Uma Que Devaneia

em segunda-feira, janeiro 04, 2010
Já vou dizendo logo que me encanto com qualquer besteira. Qualquer riso me alegra.
Minha paixão são as pessoas, pois são suas histórias que me inspiram. Alguns acham desnecessária essa minha paixão, mas sem ela, eu não sou eu.
Amo as palavras... amo, porque são resultado de sentimentos, pensamentos, ações... mas ao mesmo tempo aprecio o silêncio e admiro quem consegue mantê-lo.
A lua me fascina, o dia me incentiva. E sou muito avoada! Ah, como sou! Fico olhando o nada, imagino ciclos, realizo vôos, completo pousos.
Meu nome significa viril e forte, e confesso as vezes realmente me sentir assim. Mas, não é que eu seja. Na verdade, eu tento ser.
Ah, acho que ninguém ama de verdade, se não aproveita as oportunidades de amar. Nem é corajoso, nem amigo, nem feliz, nem nada... é muito fácil dizer que é, mas muito difícil é aproveitar as oportunidades de ser. Então, eu tento aproveitar essas oportundidades. Eu faço de tudo pra que o meu amor não se esfrie e fujo da minha natureza pecaminosa. Ainda sou um mundo desconhecido.
Sempre carrego meus amigos. Nunca sufoco as saudades. De vez em quando eu caminho sozinha. Procuro encarnar os sentimentos do Divino. Sou amada. Sonhadora. Realizadora. Forte.
Prazer, sou mais uma que devaneia...
Karol Coelho

O todo

em domingo, janeiro 03, 2010
Toda a loucura tem pitadas de sanidade.
Toda a abstinência tem gotas de fome.
Toda a tempestade esconde um sol em seus trovões.
Todo não-querer quer algo com todo furor,
Mas repreende-se por pudor.

Todo desejo oculta uma paixão,
Uma inquietação.
Toda fortaleza maquia uma fraqueza.
Toda incompreensão encobre um ceticismo.

Todo silêncio abafa um grito.
Todo grito grita por silêncio.
Todo falar pede um ouvir.
Todo ouvir pede um falar.
Todo pensar pede um agir.
Todo agir pede um pensar.

Todo amor guarda uma paixão.
Toda paixão arde em desejo.
Todo desejo pede assassinato.
Todo assassinato mata uma fome,
Seja por barriga vazia,
Insanidade,
Agonia,
Medo,
Impiedade
Ou maldade.

Toda busca demonstra um desencontro.
Todo desencontro anseia por uma busca.
Todo desencontro chama uma loucura.
Toda loucura grita por um amor.
Todo o amor morre com um grito,
Um grito de não reciprocidade.

E todo amor morto, renasce com outro.

(Erica Ferro)

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Primeira postagem do ano! Que lindo isso, hein?
Esse poema tinha publicado ontem, no meu blog individual, o Sacudindo Palavras.
Ah! Vou adiantar uma coisinha. Quer dizer, só dizer que teremos novidades em breve aqui, no Pensamentos Devaneantes.
Acho que vocês vão gostar!
Um abraço da Erica Ferro, o primeiro do ano.

Sempre pela primeira vez...

em sexta-feira, janeiro 01, 2010
(Inspirado em De Ontem em Diante)

É como se eu nascesse todo dia. Não é incrível que existam bananeiras, abacateiros e jabuticabeiras? De onde será que veio tudo isso? Todo dia eu me faço as mesmas perguntas. É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. Os vales, a chuva, os mares. A terra, os animais e as florestas. O fogo, o tempo e a claridade. Sem falar no céu com todas as suas estrelas e na lua com todas as suas fases. Com surgiu tudo isso? Os meus porquês são palavras incontáveis. O sentimento de absurdo me invade quando reparo na arquitetura humana. O sistema nervoso, veias e artérias, músculos e ossos, cérebro e coração. Bocas e braços, narizes e olhos, ouvidos e mãos. O ser humano é feito de uma perfeição absurda. Realmente inexplicável. Me admiro o tempo inteiro e acredito que nunca vou me acostumar com as coisas do mundo. Quem criou tudo isso? A resposta óbvia me remete a Deus e eu pergunto: Se Deus criou tudo, quem criou Deus? Se tudo surgiu Dele, de onde Ele surgiu então? As perguntas continuam sendo as mesmas, só mudou o sujeito da oração. Eu vejo as coisas do mundo como quem assiste a um espetáculo de mágica. Num grande truque, o belo coelho branco surge de dento da cartola , até então, vazia. Como assim? Não sei. Mas quero muito saber. Todo dia eu acordo buscando saber quem sou e de onde vem o mundo. E me faço as mesmas perguntas. É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. É como se eu nascesse de novo, todo dia.
(Maíra Viana em O Teatro Mágico em Palavras)
Me lembrou ano novo esse conto.
"É como se eu nascesse de novo, todo dia..."
Esse é o espírito!

Postado por Letícia Christmann

Prometer? Pedir?

em quinta-feira, dezembro 31, 2009
Não eu não preciso prometer mais nada.
Dar sete pulinhos nas ondas visualizando mudar o mundo para quê e durante o ano eu não consigo mudar minhas posturas?
Pedir? Pedir para não haver guerras, para não haver catástrofes climáticas? Pedir um novo amor? Pedir uma dieta sagrada para emagrecer? Pedir paz? Pedir amor?
Prometer trabalhos voluntários? Prometer paciência, compreensão?
Não quero prometer, não quero pedir.
Quero um ano novo direito, completo. 2010 com todos de 2009. 2010 com tudo de 2009.
Pra quê mudanças?
Infelicidade não muda com a mudança de data.
Infelicidade muda com mudanças de posturas, de companhias, de ares e amores.
Pedir pra ser feliz?
O que é ser feliz?
Ano novo é tempo de refletir. De traçar prioridades. De agradecer por mais uma mudança de ano, apesar de faltarem pedaços do coração e da alma, o corpo está inteiro para ver a festa de fogos. O ano começa. A vida recomeça. Ano novo é recomeço. É a chance da reconciliação. É momento não de mudar, de modificar. Sim, há diferenças entre mudar e modificar. Não se pode apagar 2009. Não se pode mudar o passado. Não se pode mudar o futuro. Porém, modificar tudo. Modificar lembranças. E pedir perdão. Mas 2010? Promessas, pedidos... Pra quê? O mundo precisa de novas posturas. Talvez a vida também. Orientar-se. Modificar-se.
O mais importante? Viver. Viver cada dia como se fosse o primeiro, preservando a curiosidade de criança de tudo querer saber. De tudo querer sentir, tocar, conhecer. Viver cada dia como se fosse o último. Aproveitar.
A vida é curta demais.
E aqui vai um clichê:
A vida é curta demais. Mas os momentos e as pessoas são eternos.
Feliz 2009! Feliz 2010!

Letícia Christmann

A cada dia desse novo ano...

em quarta-feira, dezembro 30, 2009

É fim de ano finalmente. Ou deveria dizer é "é fim de ano de novo"? Acontece que eu não consigo largar a ideia de que esse ano passou mesmo rápido demais. Não sei quanto a vocês, mas pra mim 365 dias não são mais tão suficientes para... tudo.

Enfim, o ano está se encerrando. É um fim de mais um ciclo de doze meses, 8. 760 horas, 525.600 minutos e 31.536.000 segundos que se completarão um décimo de segundo antes da meia noite de amanhã. Só pra começar tudo de novo...

É nisso que estou pensando. Pra quê comemoramos o fim de um ano e o início de outro, se ele vai constar do mesmo número de dias? Acontece que nós, humanos, acreditamos e queremos muito que nos aconteçam surpresas. E nada melhor do que forjar uma ocasião para isso. Para dizer que tudo aquilo de ruim por que passamos ficará bem longe, no passado. Para dizer que sim, agora sim, tudo haveria de mudar, tudo haveria de ser melhor...

Mas seguindo a minha recente tendência de ser "do contra", vim dizer pra vocês não esperarem que comece um novo ano para que os planos sejam feitos, os erros repensados e as pessoas abraçadas. Vocês podem fazer tudo isso hoje. Agora.

É no que eu venho pensando todas as noites antes de me deitar. É que estou com uma mania de avaliar o meu dia (e o ano também, por causa da época) enquanto fecho os meus olhos e espero o sono chegar. Penso naquilo de errado que eu fiz comigo mesmo e com as outras pessoas. Naquilo que deixei para fazer no dia seguinte. Dia que eu não tenho certeza absoluta se virá.

Por isso quase sempre os meus pensamentos antes de dormir são "Como eu quero ter a oportunidade de acordar amanhã e fazer tudo diferente. Ser uma pessoa melhor!".

Embora eu me esqueça disso às vezes ao levantar, sei que isso mexe comigo. E nessa época mexe com todo mundo que faz o seu "balanço de natal". Só espero que compreendam que as oportunidades, por mais que se adiantem até você, vão ser inúteis se você continuar de braços cruzados esperando que as boas surpresas que você deseja sejam feitas por outras pessoas, ou por si mesmas.

Faça um ano diferente, mas fazendo com que cada dia seja diferente. Assim você vai poder chegar a dezembro de 2010 com a sensação de que o ano foi muito bem aproveitado, surpreendente e até doloroso em alguns momentos, o que não o fez deixar de ser maravilhoso.

Mas se por acaso algum dia você acordar e perceber que até então você não está cumprindo nenhuma das promessas que fez a si mesmo, não espere que o próximo dia primeiro de janeiro chegue para que você comece tudo de novo.

Estamos combinados?

Assim o seu ano vai ser muito especial, independente do que aconteça.

Um Feliz 2010 pra você, inteirinho vivido intensamente - o que não significa irresponsavelmente.

(Thairane Nascimento)


•••

Eu queria ter escrito algo para postar aqui, mas não saiu nada. Quer dizer, eu nem me esforcei, nem comecei a escrever. Mas a minha amiga Thairane falou por mim e por ela, não é? Lindo texto, sem muito o que acrescentar, porque o texto fala e grita por si, nos alerta e nos aconselha de uma forma maravilhosa. Essa Thairane realmente arrasa, eu já disse isso a ela. Escreve muito bem, essa minha amiga blogueira!
Então é isso, caros leitores do Pensamentos Devaneantes.
Essa é, provavelmente, a minha última postagem do ano aqui.
Mas ano que vem tem mais, bem mais.
Vivamos agora, já, sem acomodações e preguiça!
Um abraço carinhoso para vocês.

Postado por Erica Ferro

Ter, sonhar.

em segunda-feira, dezembro 28, 2009
Ao sol,

Chegou o dia em que eu deitei na nuvem, olhei pro infinito e lembrei,

De um dia qualquer da plenitude, e outro dia e outro ano,

Você sempre aparecia nas pinturas,

Eu, feito criança caia em choro com dúvidas,

Quem sabe quanto a minha autonomia,

Quem sabe do meu poder,

Ou então do meu existir

Ou do meu próprio duvidar...

Você me acompanhava feito pai segurando a mão,

Mostrava-me o caminho do inseguro e do insatisfeito,

Guiava-me pro retas tortas e descidas para o céu.

Enxugava meus prantos com o fogo ardente que vem de dentro,



~ Eu tinha você ~



Olhei pra ser que brotava do meu seio,

Eu te enxerguei como aquilo que reaviva a carne como vida,

Te toquei e me queimei no fogo celeste que é vivo e é vida,

O que mantém a esperança, a vontade e o viver

Eu tinha em mim e pelos cantos deixei que o levassem

Para me entregar a metamorfose natural e espontânea

A qual eu mesma gerei.

Passasse de humano à não-humano, ou outro.



~ Eu tinha, realmente, você. ~



Lamento,

Dá um sinal,

Traz o fogo e faz retornar o calor de ser,

O devir mostrou-se possível,

O vir-a-ser é necessário e preciso,

Neste momento, de desconsolo e volição,

Necessário é estar no ato da pintura,

É triste admirar a exposição.

(Andinho Yankee)



Postado por Erica Ferro

O que se perde enquanto os olhos piscam?

em quarta-feira, dezembro 23, 2009
Pronde vai?
Toda tampa de caneta?
todo recibo de estacionamento?
todo documento original?
Isqueiro, caderneta,
a camiseta com aquele sinal...
Pronde vai... toda palheta?
Pronde foi... todo nosso carnaval?
Pronde vai?
Todo abridor de lata?
Toda carteira de habilitação?
Recado não dado, centavo, cadeado?
Todo guarda-chuva!
Pra fuga pro temporal!
Pronde vai... o achado, o perdido?
eu não sei, veja bem...
não me leve a mal...
Pronde vai?
todo outro pé de meia,
carteira, brinco e aparelho dental?
pronde vai... toda diadema?
recibo, receita e o nosso enredo inicial?
Pronde vai?
toalha de acampamento,
presilha, grampo, batom de cacau
elástico de cabelo
lápis, óculos, clips, lente de contato?
a nossa má memória!
a denúncia no jornal?
pronde vai... aliança, chaveiro, chave, chinelo?
e o controle pra trocar canal
Pronde vai?
O solo que não foi escrito?
Labareda nesse labirinto,
o instinto, o reflexo, sem seguro
O coro do Socorro! O lançamento oficial!
Pronde vai... a culpa da cópia?
Pronde foi... a versão original!?
Pronde vai?
a bala que se disparô?
o indício da gripe que disseminou
a culpa no porco no bicho animal?
a firmação do pulso! O discurso radical!
o troco em moeda... a lição da queda
Pronde foi... nosso humor e moral?
Pronde vai? todo nosso desalento
toda brisa vem de um vendaval
pronde vai a reza cortada por sono
ela vale? Me fale... me de um sinal!

São longuinho
Me fale me de um sinal!


Pra onde foi?
O canhoto, benjamim de tomada
Passaporte, n. de telefone, certidão,
registro com foto, simpleza, prudência, clareza... consideração!
Autenticidade, compaixão, certeza...
a urgência, o acaso e a ocasião,
a postura, o primeiro nome, o amuleto, a muleta,
a raiva, a régua, a borracha, o erro, a rasura, a razão
Carregador de bateria, euforia, a perda, a pendência, o pudor o perdão!
extrato, a ponta, a conta nova, a cola da prova e a extensão,
o estímulo, exemplo, ,a voz dissonante...
A coragem do meu coração!

São Longuinho, São Longuinho
Me fale me dê um sinal!
São Longuinho, São Longuinho
Pra onde foi?
A coragem do meu coração!
(O Teatro Mágico - O que se perde enquanto os olhos piscam)
Postado por Letícia Christmann
 
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