Pra não dizer

em sexta-feira, abril 16, 2010
Pra não dizer que te amo:
Escuto em silêncio sua voz no meu ouvido,
Olho seus olhos e os memorizo,
Compartilho os meus sorrisos,
E te conto quando sonho contigo.
Pra não dizer que te amo:
Te deixo me ver dormindo,
Te faço meu melhor amigo,
Mostro a ti meus maiores conflitos,
Te imagino sonhando comigo.
Pra não dizer que te amo:
Te conto alguns segredos,
Em seus braços me preencho,
Em seu ser eu mergulho,
E nossos desejos realizo.

(Karol Coelho)

No fim...

em segunda-feira, abril 12, 2010
Por sorrisos, frases, abraços, beijos, amizade, compreensão;
Por aprender a se importar com o que realmente é preciso, procurar sempre entender;
Por deixar o ego de lado, compartilhar a vida e viver;
Por companheirismo na rotina, sorrir, brincar, deitar, rolar e deixar acontecer;
Por mim, por tentar ser feliz, por ter me entregado a você;
Por ter ouvido mais de uma vez "não é possível que você existe";
Por ter proporcionado risos, gargalhadas;
Por, com a pressa de duas crianças, termos dado um passo de cada vez;
Por lágrimas, despedidas;
Por morrer de saudades sem poder te ver, te tocar, te beijar;
Por querê-lo sempre por perto, e não poder te ter;
Por isso, por aquilo, por aquilo outro, e de novo, por mim e por você;
Mas, principalmente, por nós, por poder ter tido nós, e ainda poder ter;
E, essencialmente, por amor...
No fim, eu virei uma super heroína por você.

Letícia Christmann

Vício infernal

em sábado, abril 10, 2010
Tu, vício infernal, tirou-me a capacidade de fuga
presa a uma utopia dourada e pura fiquei
tragada por palavras castas, mas inventadas
Um puritanismo criado por tua mente fértil
uma fertilidade medida para me enlouquecer
para me fazer apaixonar e de morta me fazer

Arrancaste de mim a capacidade lógica, vício infernal
De inferno pintaste os meus dias
Meus pensamentos variam entre te encontrar e te raptar
Descobrir onde você se esconde e levá-lo para um passeio infindo

Vício infernal, motivo da minha ira,
motivo de alegria,
de agonia
Meu motivo de acordar todos os dias
com essa esperança demente de quem acredita
que pode tocar em nuvens

(Erica Ferro)

Ainda Me Lembro

em quarta-feira, abril 07, 2010
Do teu sorriso
Ainda me lembro
E quando o ver
Quero vê-lo contigo
Como sempre foi lindo

Eu o quero sempre assim
E não precisa ser pra mim
Sei o que mereço
E não é esse o meu desejo

Ainda me lembro
Pelo mesmo motivo:
Nada parece dar errado
Quando o mundo ganha o teu sorriso.

(Karol Coelho)

venha correndo

em domingo, abril 04, 2010
me sinto cansada
como se as dores do mundo tivessem caído em minha cabeça
me sinto cansada como um trabalhador rural
que passou o dia inteiro debaixo de um sol escaldante
machucando as mãos num trabalho bruto
pra garantir o pão pros filhos no fim do dia

mas eu não tenho filho
e nunca trabalhei
por que estou cansada?

o mundo me apertou
me quebrou os ossos
não posso me locomover
não posso sequer abrir os olhos
me vejo estagnada
ferida de morte
sem esperança de cura

eu só precisava te ver
ganhar um beijo doce
leve e capaz de tirar todo o fel que o mundo me implatou
no coração e na alma

eu só queria você
entenda isso e venha correndo

(Erica Ferro)

Sobre abraços de calda

em sábado, abril 03, 2010
(Foto retirada do Flickr)

Vanessa, uma mulher de 28, executiva de uma multinacional, mãe ausente de Joaquim, de 8 anos, digo ausente porque ela trabalhava quase que em tempo integral. Ela, numa tentativa de matar os gritos de sua saudade, se jogava de cabeça nos seus trabalhos, mal sobrava tempo para o pequeno Joaquim, que ficava sempre aos cuidados de babás e empregadas. O marido de Vanessa morreu misteriosamente, só se sabe que foi um assassinato, porém nunca descobriram o porquê. Uns desconfiam que pode ter sido em decorrência de seus secretos negócios, dos quais Vanessa nunca teve conhecimento.
Depois da morte de Joaquim, Vanessa não teve mais motivos para sorrir de modo sincero. Joaquim vivia amuado pelos cantos, com saudade do pai que nunca mais veria e da mãe que parecia não o ver. Ansiava por alguém que o amasse, que o escutasse e o acolhesse nas noites frias, em que a solidão lhe apertava o coração de modo tão forte e destruidor. Então pediu à mãe que lhe comprasse um animalzinho de estimação; quem sabe um cachorro ou um gato. Vanessa não permitiu, detestava animais de estimação; trauma de infância, quando um cachorro decidiu que iria morder sua canela num belo dia de sol; e, claro, pensava que só davam trabalho e tantas dificuldades. Pediu o menino que desistisse da ideia, que se ocupasse com videogames, computadores e qualquer coisa que pudesse sublimar a dor e a solidão que ele sentia. Pobre Joaquim! Ficou desolado, sua solidão e dor só aumentaram. Como a mãe podia negar-lhe amor e afeto, carinho e atenção e até um animalzinho, que poderia ser o brilho de seus olhos naqueles dias tristonhos?
Vanessa foi implacável e seu coração, mesmo com todas as investidas do filho, não amoleceu. Não lhe daria bichinho de estimação algum!
Assim, vendo a tristeza de Joaquim e a sobrecarga de trabalho de sua filha Vanessa, a avó, que gerenciava parte da empresa em que Vanessa trabalhava, resolveu lhe "forçar" a ter uns dias livres, em que pudessem ela e o filho viajar e curtirem uns momentos juntos; quem sabe poderiam se entender e estreitar laços que jamais deveriam estar afrouxados?
Então foram, mãe e filho passar uma semana de férias na cidade em que a avó do menino nascera.
Em meio a passeios, a conversas, a confissões da infância de Vanessa e da identificação com a própria infância de Joaquim, viram o quanto eram parecidos, viram o quanto poderiam ter parado um momento para dialogar e poder sentir que estavam de fato juntos e unidos nessa aventura chamada vida.
Vanessa se arrependeu tanto de ter vivido para o trabalho de forma quase que integral. Viu como o filho era doce, prestativo e que se comunicava muito bem. Por que não tinha momentos de diálogo com ele? Por que não perguntava como tinha sido seu dia? Ah! Que amargo arrependimento.
Joaquim, porém, pediu a mãe que não ficasse tão amargurada, e na sua doce inocência e pequena experiência, disse a mãe que o que tinha passado, tinha passado e não voltaria mais; mas que tinham muitos anos para aproveitarem a vida juntos, compartilhando de todos os momentos, dividindo as tristezas e multiplicando as alegrias que tivessem.
No último dia de férias, estavam passeando perto de um rio muito bonito e querido por toda a cidade. Avistaram uma menininha, vestida de forma humilde, parecia triste e à sua frente estava um cachorro, que olhava-a fixamente, com uns olhos mais leais que puderam ver na vida.
Mãe e filho se entreolharam, Vanessa disse:
- Sabe, filho, um cachorrinho é mesmo o melhor amigo do homem.
- Sério, mãe? Mas você nunca gostou de animais...
- Filho, eu sempre tive medo de cachorros e essas coisas. Tinha medo de levar uma mordida. - e deu uma risada gostosa. - Mas... Você não, sempre gostou, né?
- Aham, sempre.
- Filho, vendo essa cena tão linda, meu coração pede para que, assim que voltarmos, comprar um animalzinho pra você. Um cachorro!
- Ai, mãe, sério?! Que alegria!!
- Sim, filho, eu falo sério. Um cachorro nos ouve, nos entende, mesmo que não diga nada. Ele passa sua calda por nossa perna, nos dando alento no momento que é preciso. Ah, medo bobo o meu de ser mordida, né? As pessoas é que são perigosas, que nos mordem e nos ferem sem precisar usar os dentes.
- Mãe, sabia que eu te amo muito?
- Oh! Meu filho, eu também te amo muito, muito!

Quando voltaram para casa, Vanessa fez o combinado, comprou o cachorrinho, que se chamou Ted. Ted estreitou ainda mais o laço de amor e cumplicidade entre eles. Agora eram três, inseparáveis companheiros. Na dor, estavam juntos, choravam juntos, calados, numa compaixão mútua. Na alegria, vibravam, pulavam, Ted latia, os outros dois sorriam.
Um cão, um ser peludo, com um coração de ouro, alma nobre, que falava através de latidos, que expressava seu amor em abraços de "calda".

(Erica Ferro)

Você não me deixa...

em sexta-feira, abril 02, 2010
"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa."

(Caio Fernando Abreu)

* * * * *

Ontem estava eu quase a postar esse fragmento de algum texto do Caio, que não sei qual é, mas não importa muito. Esse fragmento fala muito o que eu estou vivenciando no momento. Quando eu estava quase terminando a postagem, a energia faltou. Ê falta de sorte, hein? Mas enfim, está aí! Ah, e cada vez que eu leio algo do Caio, penso: Preciso ler um livro inteiro do Caio! Bom, espero que gostem do Caio tanto quanto eu!

Postado por Erica Ferro
 
imagem do banner Design