Consolo na Praia

em segunda-feira, maio 03, 2010
Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
-
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
-
Pesdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
-
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
-
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
-
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
-
(Carlos Drummond de Andrade em A Rosa do Povo)
-
Ps. Esse poema é perfeito. Melancólico sim, mas na medida certa.
Postado por Letícia Christmann

Até o fim

em quarta-feira, abril 28, 2010

Até O Fim - Engenheiros do Hawaii

Não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora

Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim

Eu não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser
Ir embora
Não vai ser a primeira vez
Em menos de 24 horas

A ilha não se curva
Noite adentro
Vida afora
Toda a vida
O dia inteiro
Não seria exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim

Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até fim

Não vim até aqui pra desistir agora
Não vim até aqui pra desistir agora







Postado por Erica Ferro

A Outra Metade

em
Um dia olhei nos olhos da minha outra metade e chorei.
Chorei por medo de perdê-la!
E a perdi.
Na verdade, a mandei embora.
Falta algo, falta tudo.
Tem muito vazio.
Tropeço em meus próprios passos.
E choro mais.
Principalmente agora,
que percebi desprezar minha outra metade.
Hoje, sou feita só de uma parte.
E o nome dela é saudade.
(Karol Coelho)

Combata os bancos de areia e troncos submersos

em segunda-feira, abril 26, 2010
“Caro Forrest,
Lamento não ter tido tempo de ver você antes de partir.
Os médicos decidiram de uma hora para outra, e antes que eu me desse conta, já estavam me levando, mas pedi para escrever esta carta, porque você foi muito gentil comigo.
Sinto, Forrest, que você está a um passo de alguma coisa muito importante em sua vida, alguma mudança ou evento que o levará em outra direção. Deve agarrar esse momento e não deixá-lo escapar. Quando penso nisso, recordo algo em seu olhar, uma certa chama que surge de vez em quando, em geral quando você sorri e, nessas ocasiões, que não são freqüentes, acredito ter visto quase uma gênese de nossa capacidade como seres humanos de pensar, de criar, de ser.
Esta guerra não é para você, companheiro — nem para mim — e já estou bem fora dela assim como estou certo de que você também ficará. A questão crucial é: o que fará? Não acho de jeito nenhum que seja um idiota. Talvez pelos testes ou julgamento de alguns tolos você se enquadre em uma categoria ou outra, mas lá no fundo, Forrest, eu percebi uma centelha vívida de curiosidade ardendo no fundo de sua mente. Aproveite a maré, amigo, e
enquanto estiver sendo levado, faça com que seja a seu favor, combata os bancos de areia e troncos submersos, e nunca ceda, nunca desista. Você é um cara bom, Forrest, e tem um grande coração.
Seu amigo,
Dan.”

(Trecho do livro "Forrest Gump, o contador de histórias")



Achei essa carta linda, meus caros devaneados! E esses trechos que eu destaquei foram os que mais me emocionaram; deixaram-me com lágrimas nos olhos. Indico "Forrest Gump, o contador de histórias"!

Postado por Erica Ferro

Coisas do Coração

em sexta-feira, abril 23, 2010
Raul Seixas

Quando o navio finalmente alcançar a terra
E o mastro da nossa bandeira se enterrar no chão
Eu vou poder pegar em sua mão
Falar de coisas que eu não disse ainda não

Coisas do coração!
Coisas do coração!

Quando a gente se tornar rima perfeita
E assim virarmos de repente uma palavra só
Igual a um nó que nunca se desfaz
Famintos um do outro como canibais

Paixão e nada mais!
Paixão e nada mais!

Somos a resposta exata do que a gente perguntou
Entregues num abraço que sufoca o próprio amor
Cada um de nós é o resultado da união
De duas mãos coladas numa mesma oração!

Coisas do coração!
Coisas do coração!

Toca Raul!!



Postado por Letícia Christmann

Com tudo

em quarta-feira, abril 21, 2010
Com olhares,
conquistou seu toque.

Com beijos,
enxugou suas lágrimas.

Com colo,
abrigou sua alma.

(Karol Coelho)

Divã

em segunda-feira, abril 19, 2010

"Sempre desprezei as coisas mornas, que não provocam nem paixão nem ódio, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos, uma paixão mais ou menos, um romance mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador e intensamente. É preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados e com eles seu orgulho, sua felicidade, sua raiva, seu asco, sua adoração ou simplesmente seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, estremecer, suar, desatinar, abrir um sorriso, descabelar, não merece fazer parte de sua biografia."

"Aprender a conviver com o efêmero é uma das tarefas mais duras que a vida impõe. Se não iremos permanecer aqui na terra por muito tempo, é de se supor que nossos sentimentos, o brilho dos nossos olhos e nossas dúvidas atrozes também não irão existir pra sempre. Então, por que se preocupar com tudo isso, não é mesmo?
Mas eu não me acostumo com essa transitoriedade, mudanças me parecem atraentes e ao mesmo tempo assustadoras. Meu rosto se transforma, meus pensamentos me deixam perplexa e eu me pego asfaltando uma nova estrada pra mim, totalmente desfalcada de sinalização."

"A pergunta que mais faço é: por que não? Desde pequena, desde que tomei gosto pelo ato de respirar e me senti atraída pelos dias que estavam por vir, horas repletas de novidade, desde que eu despertei para a leitura e que passei a sentir o sabor das coisas de uma forma muito entusiasmada, desde que eu soube que podia pensar e que o pensamento era livre, que dentro do meu pensamento ninguém poderia me achar, desde que meus seios cresceram e eu descobri que pessoas tinham cheiro, desde lá até aqui eu me pergunto: porque não me oferecer para aquilo que não fui preparada? Eu tenho as armas de que necessito para me defender, e mesmo que eu perca, eu ganho, já perdi algumas vezes e sei como funciona a lei das compensações."

"Tudo se dramatiza diante dos meus olhos. Posso estar nua mas me sinto num vestido floreado de cores berrantes, porque eu mesma berro por dentro e deixo escorrer o rímel que não estou usando. Mexicana. Pulseiras baratas, gesticulações excessivas, novela de última. De repente, minha vida deixou de ser um poema."

*Frases retiradas do livro Divã, de Martha Medeiros.

* * *

Postado por Erica Ferro

 
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