Um dia de aventura.

em quarta-feira, outubro 13, 2010
A menina, que até então tinha medo, se mantém segura, esquecendo-se de tudo por apenas um carinho. O desejo é declarado ao pegar em sua mão.
Assim permanece o dia. Só na aventura do desejo insaciado, do olhar entregado, do sorriso discreto perdido na brincadeira.
É hora de ir, mas mesmo com o tempo avançado, vem a desculpa para dar uma escapada. Era a hora, só podia ser essa a hora. O tempo criado para arriscarem seus corações, colocando-os em um poço de saudade dado pelo beijo que fizera da espera de uma tarde juntos, se transformar em nada perto da distância que agora têm que enfrentar.

Karol Coelho

O quadrado dos catetos

em quinta-feira, outubro 07, 2010
Nivaldo Pereira
Crônica publicada no jornal Pioneiro, 23/07/2010

A soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Hipotenusa? Como é mesmo o nome daquela loura que cantou doidona o hino nacional? Não é bem Hipotenusa, mas algo assim. O povo riu e criticou, mas aquele hino nacional na versão da tal Hipotenusa é a cara da relação de muitos políticos com o Brasil. Hum, isso pode ser tema da redação.
Memorize, memorize... A soma do quadrado dos catetos... Cateto não é um tipo de arroz? Arroz quadrado? Só se for daqueles italianos, para risoto. Como será que fazem para o grão ficar assim, cortadinho? Deve ser algum truque transgênico. Opa, esse lance transgênico pode ser tema da redação. Os naturebas não querem nem saber disso. Ah, mas eles comem aquele arroz integral grudado... Gente estranha!
Vamos lá, teorema de Pitágoras. Grego tem cada nome esquisito e enorme! É Anaximandro, Parmênides, Eurípedes, Aristóteles, Arquimedes. O tal Platão, apesar de terminar em ão, deve ser um diminutivo. Platão! Parece o Cebolinha pedindo um prato grande: quelo um platão. Um platão de lisoto de aloz cateto...
Arre! De novo: em qualquer triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa... Pera lá! Se é triângulo, como pode ser retângulo? Isso eu sei muito bem a diferença. Um tem três lados, o outro tem quatro. Cadê a lógica? Depois querem que a gente aprenda matemática. Os caras viajam! Devem tomar as mesmas boletas da dona Hipotenusa... Esse teorema de Pitágoras devia se chamar teorema LSD. Ou teorema do Chapeleiro Maluco. Um triângulo que é retângulo? Deu nó aqui, deu nó...
Melhor pegar um pouco de biologia. A célula é a unidade funcional dos seres vivos. Núcleo, citoplasma, mitocôndria... Ah, tinham que esculhambar. Mitocôndria deve ser nome de grega. Dona Mitocôndria, mulher de seu Alcebíades... Complexo de Golgi! Sim, tadinha, traumatizada com o nome horrível, dona Mitocôndria sofria com o Complexo de Golgi! Ui, com essa, escorreguei no vacúolo, caí no zigoto!
Cadê as outras apostilas? Química. Física. Literatura. Geografia. É melhor dar um tempo. Ser inteligente agora é descobrir onde a mãe escondeu meus patins.

*Conheça o blog do Nivaldo Pereira clicando aqui.

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Já disse por aqui o quanto admiro o Nivaldo, não é?
Pois aí está mais uma crônica genial dele.
Espero que gostem.
E me desculpem pela ausência aqui no Pensamentos Devaneantes.
Sem promessas, mas espero que eu volte a postar frequentemente, como antes.



Postado por Erica Ferro


O mesmo de sempre

em terça-feira, outubro 05, 2010
Não entendia como o mundo poderia dar tantas voltas. Uma hora tão feliz, outra tão perdida e, por fim, triste, muito triste.
As coisas se acertam quando não deveriam se acertar. As coisas erradas parecem mais certas nesse mundo sem amor. Ou com amor demais, que de tanto não caber em si, acaba fugindo.
Não entendia como poderia ter se ligado tanto à mais alguém. Mais um alguém que se vai assim, sem mais nem menos. Amar, acompanhar, ter alguém... São coisas da cultura ocidental, que não faz muito sentido quando começa a estudar o surgimento. Mas ainda assim, se fazem necessárias para quem sempre esteve inserida nela.
Tinha medo de muita coisa, mas lembrava que o ter medo era relativo.
Aquelas sensações esquisitas haviam parado há algum tempo. E agora voltavam.
O mesmo aperto no peito de saudade.
A mesma vontade de ver, abraçar e não sair de perto.
A mesma disponibilidade de amar, e ser correspondida.
Nada estava dando muito certo.
Mas afinal, o que deveria dar?
Via tudo errado à sua volta.
E não parecia que as coisas iam se acertar.
Tudo, por fim, continuava errado igual sempre.

"Um dia desses, num desses encontros casuais...
Talvez a gente a se encontre, talvez a gente encontre explicação..."
(Engenheiros do Hawaii)
Letícia Christmann

O novo medo.

em quarta-feira, setembro 29, 2010
Era composta assim: um pedacinho de cada um.
Gostava de todas as suas cicatrizes, todas as rugas devido aos risos e também aos choros.
Preferia sentir dor comparado a não sentir nada.
Tinha dentro de si, uma lembrança de cada. Pequena, grande, estranha, quadrada, redonda, inteira ou despedaçada. Tinha em si o mundo todo, e cabia muito mais.
Era o que era, e o que havia escolhido ser, aceitando todas as consequências devido ao seu modo de ver o mundo.
O mundo. Mudou muitas e muitas vezes seu ponto de vista em relação à ele. Viver é mudar, remudar e mudar de novo.
Era mudança, a mudança que cabia em si. Entendia que tudo mudava. Mas todos os olhares, momentos e amigos que carregava consigo, eles sim era algo que nunca mudaria. Felicidade ou angústia, fazia parte dela.
Estava começando a entender o que é envelhecer, ter experiência de vida. E o que tempo curava ou qual cicatriz ele deixava.
Tudo caminhava ao devir do ser e deixar de ser.
Não tinha mais medo da mudança, agora seu medo era da memória. E do esquecimento.


"E ninguém dirá que é tarde demais,
Que é tão diferente assim...
Do nosso amor a gente é quem sabe."
(Los Hermanos)

Ps. Você me pediu, e aqui está. Marcelo, esse é pra você.

"E pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."

Letícia Christmann

É segunda-feira (e cinza).

em segunda-feira, setembro 27, 2010
Não adianta, já se foram os dois dias mais esperados da sua semana.
E essa Segunda, além de ser segunda, está cinza.
E além de cinza está fria.
Eu só fiquei assim ao lembrar que era ela quem havia chegado.
Queria apenas estar deitada em chôro, aconchegada em meu vazio.
Mas omitindo meus sentimentos a encaro,
aguardando que sua próxima vinda não me faça sentir a vida vã,
mas que me seja dada a coragem de encarar os ônibus de cada dia,
o despertar do relógio, o chefe sem alegria e a luta contra o ócio.


(Karol Coelho)
Ê, meu São Paulo de pedras, de chuva, de cinza...

O Último Romance

em sexta-feira, setembro 24, 2010
Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar

Ah vai, me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
(Los Hermanos)


Ps. Linda, de tudo. Você já se encontrou assim?

Postado por Letícia Christmann

I found out

em domingo, setembro 19, 2010


*Ando muito calada ultimamente.
John Lennon fala por mim hoje, certo?
Até outro dia.

Erica Ferro
 
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