Coisa com coisa

em domingo, setembro 13, 2009
Vamos lá, vamos lá, sem muito pensar, deixando as imagens virem. Este é um exercício de livre associação, somente para ver aonde vamos parar, como brincadeira de ligar coisa com coisa. Primeira imagem? Huummm... Aqui, Júpiter, o planeta, num postal à minha frente.

Júpiter sugere a Júpiter 2, a nave do pessoal de Perdidos no Espaço. Vejo o robô sacudindo os bracinhos e avisando “perigo, perigo” e o Dr. Smith xingando-o de lata velha agourenta. O Dr. Smith era um chato intragável.

Intragável lembra um remédio do qual tomei frascos e frascos na infância, chamado Emulsão de Scott. Legítimo óleo de fígado de bacalhau, tido como fortificante. Minha mãe sempre acreditou que aquele purgante me faria engordar.

Engordar evoca Dona Redonda, personagem de Wilza Carla na novela Saramandaia, de Dias Gomes, exibida nos meados dos 1970. De tanto comer, Dona Redonda explodiu. O povo da cidade ia, então, trazendo pedaços da morta para entregar ao pobre viúvo, Seu Encolheu.

Encolheu lembra o período veloz de crescimento na infância e adolescência, quando a calça do uniforme escolar ia ficando curta e me chamavam de “calça pescando-siri”, com os tornozelos cada vez mais à mostra.

Tornozelo puxa as dores lancinantes de quando eu dava com a canela por acidente na quina da cama da minha irmã. As vistas escureciam, eu via estrelas.

Estrelas eu contava no céu, mesmo com medo de criar verrugas no dedo. Aliás, já tive verrugas no polegar e nos joelhos. Um dia me ensinaram a amarrar a verruga com fio de crina de cavalo, para ela cair, mas de nada adiantou. Ela caiu quando bem quis, sumiu com o tempo.

Crina de cavalo lembra Boneca, uma mula cinza que meu pai tinha e que um dia deu uma dentada nas costas de meu irmão, quando ele ia passando por baixo da corda dela, esticada na porta.

Dentada puxa do fundo do meu lago da memória umas traíras pescadas com outros moleques. As pestes estavam fora da água há horas, mas ainda avançavam em nossos dedos desavisados, talvez dando prova de serem mesmo traíras.

Pronto: de Júpiter cheguei nas traíras. Agora, leitor, faça sua viagem a partir das traíras.

(Nivaldo Pereira)

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Postado por Erica Ferro

2 comentários:

Natália disse...

Boiei em tudo.
Aai como eu sou burra! beijos --' hahahhaa

Ana Seerig disse...

Ei, já li isso! =P

Amooo Nivaldoooo!!

Também adorei essa crônica!

 
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