Lembra daquela última vez que estivemos juntos? Sorrimos, brincamos, conversamos. Parecíamos amigos, sem brigas, sem preocupações, sem desavenças. Eu consigo me lembrar daquele dia com facilidade, acho até que não faz tanto tempo assim. Mas aquela felicidade quase plena parece distante. Não fingíamos, não conversávamos com meias palavras, nenhuma frase poderia tomar duplo sentido como de lá pra cá.
Naquela última vez estávamos completos, realmente juntos. Estávamos ligados, interessados. Agora vejo, parece muito tempo. Nos desconhecemos tão fácil, nos desencontramos, não nos acertamos. Começo a sentir que nos conhecemos demais. Demais para estragar. Será que viramos um só que não conseguiu se dar bem?
Nessa história toda conseguimos ser o diabo e o anjo ao mesmo tempo. E o mais importante esquecemos: nós.
E como sempre, a cama fica vazia, a vida rotineira, o coração apertado... E o que sobra é a falta.
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"Você me tem fácil demais, mas não parece capaz de cuidar do que posssui. Você sorriu e me propôs que eu te deixasse em paz, me disse vai e eu não fui.
Você me diz o que fazer, mas não procura entender que eu faço só pra te agradar. Me diz até o que vestir, com quem andar e aonde ir, mas não me pede pra voltar...
Não faça assim, não faça nada por mim... Não vá pensando que eu sou seu."
(Paula Toller e Herbert Vianna)
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Letícia Christmann