Coisas necessárias...

em domingo, julho 26, 2009
- Oh, my God! A segunda queda de energia hoje. Ah, assim é demais. Eu quero a minha mãe. Cadê a minha mãe? Cadê meu pai? Cadê meu irmão? Cadê meu cachorro? Ah, esqueci, não tenho cachorro e nunca tive. Mas bem que agora eu queria alguém pra conversar. Um cachorro, um cavalo, se bem que não caberia um cavalo nesse apartamento. Mas um gato, um coelho, até um peixe num aquário seria legal, me sentiria menos só. - Falei para as paredes.

Era noite, aproximadamente 22:00. Estava sozinha, sentada num sofá lilás, muito lindo por sinal. Mas estava só, no escuro, com uma lanterna tentando iluminar a escuridão. Comecei a chorar, parecia uma criança. Enquanto chorava, pensava: "Nem parece que tem 18 anos. Credo, uma criancinha chorona!".
Aí eu mesma retrucava: "Sim, sou chorona mesmo, e daí? Eu estou sozinha, no escuro, sem ninguém e é pra rir, é?!". Pois é, eu converso sozinha, acho que isso de não ter com quem conversar afetou meu cérebro. Fazer o que, não é? Morando sozinha, sem ninguém pra conversar, o jeito é dialogar com si próprio. Não tenho amizade com quase ninguém aqui do prédio. Cada um no seu muquifo, digo, no seu apartamento. Só costumo falar com alguns deles no elevador ou pelos corredores mesmo. Nem faço questão, sabe?
É, eu sou meio antissocial, sim. Não me orgulho disso, mas também não me condeno. Ah, e também nem é tão ruim conversar consigo mesma.


Poxa! Eu pensei que ia ser tudo diferente, tudo tão legal quando viesse morar sozinha, sem ninguém pra encher o saco, brigar comigo, me obrigar a fazer tarefas domésticas. Faria tudo na hora que eu bem quisesse. E assim foi durante umas duas semanas. Mas não deu muito certo. Eu tive que ter regras, horários. Até porque comecei a cursar a faculdade de jornalismo, arrumei um estágio e tinha que ter disciplina. E outra, antes eu tinha mamãe pra arrumar a casa, não é? Chegava em casa da escola, estava tudo arrumado, bem cheiroso. E agora não, estava só, e tinha que fazer as coisas. Até porque eu não sou uma porquinha, não é? Morar num chiqueiro não é legal. Então passei a criar vergonha na cara e arrumar o meu apartamento. E, meu Deus, como cansa, como é chato fazer todas aquelas tarefas todos os dias. Agora entendo porque a minha mãe reclamava tanto e pedia a minha ajuda. Agora eu que gostaria que ela me ajudasse.

Enfim... Na parte da cozinha, Jesus... foi uma tragédia no começo. Não conto os dias que eu queimei o arroz, a carne e que feijão ficou sem sal. E o mais engraçado, eu sempre comia com gosto as comidas. Eu tinha um tipo de orgulho: "Poxa, foi eu que fiz! É... está um pouquinho sem sal, mas é besteira. Está gostosinho. Beleza de arroz, hein, Erica? E esse gostinho de queimado? Nossa, muito bom. Deu um toque especial no arroz. Sou genial na cozinha!" - Falava toda orgulhosa.
Um dia bem engraçado foi quando eu chamei uma amiga da faculdade pra almoçar aqui em casa. Cara, quando ela provou, ela disse:
"Ai, Erica... que arroz insosso. Você deixou queimar a carne, foi? E esse feijão que tem mais água do que outra coisa? - Disse ela com aquela cara de quem comeu, e não gostou.

Respondi: "Ah, está achando ruim, é? É que eu estou na fase de aprendizagem. Um dia eu chego lá. Mas come pensando naquela comida do restaurante ali do centro, sabe? Aquele chique. Vai imaginando. Quando você olhar para o prato, não tem mais nada. Quer saber? Come logo, e deixa de conversa. Hunf! Fica reclamando da minha comida, mocinha. Logo a minha que foi escolhida no concurso de culinária.
"Só se foi da categoria dos piores pratos." - Disse ela toda risonha.
"Ai, amiga, assim você me magoa! Fiz com tanto carinho, com todo amor pra ti, e você diz isso. Deprimi!"
"Estou brincando, querida. Mas que está estranha, ah, isso está! Mas eu vou comer, viu? Só pra você não chorar. Mesmo que eu coma chorando, mas eu como!
Rimos muito naquele dia!
Ah, mas agora estou sozinha. E quando será que essa energia volta, hein?
Credo! Logo agora que eu estava conversando alegremente no MSN. O computador: a única companhia que eu tenho esses dias, digo em casa. Porque durante o dia tem os amigos da faculdade, do jornal, aí não me sinto tão sozinha. Me divirto com eles. Mas quando volto pra casa, sinto aquela necessidade de um abraço, de um 'boa noite', mas eu que digo 'boa noite' para as paredes. É tão legal isso. Pense numa coisa legal de se fazer. Se elas me respondem? Sim, só se eu falar bem alto. Aí ecooa o meu próprio 'boa noite. É lindo. Não, não é lindo.
Queria um marido. Ah, mas gorda do jeito que estou, feia desse jeito, é ruim que arrume alguém.
Oh céus! Será que o meu destino é esse tão cruel: de viver sozinha, sem ninguém, o resto da vida?
Tenho vontade de voltar para casa da mamãe e do papai, mas sei que não é bom. Aliás, não que seja ruim, mas não é bom pra minha evolução como pessoa. Eu preciso ter auto-confiança em mim, preciso me disciplinar e passar a viver com mais responsabilidade. Isso de morar sozinha me ajudou bastante nesse aspecto: o da responsabilidade. Antes eu não tinha compromisso com nada. Só a escola mesmo, mais nada.
Agora não, tudo mudou. Não digo que mudou pra pior, e sim foi mais difícil pra acostumar, pra saber lidar com isso. Mas, aos poucos (bem pouco mesmo), eu vou aprendendo a não queimar tanto a comida, a limpar direitinho a casa, a não chegar tão atrasada na faculdade e no estágio. No estágio, eu busco ser o mais pontual possível, senão eu estou perdida, não duro um dia no emprego. Mas na faculdade é uma desgraça só, chego sempre atrasada. Sou conhecida como "Erica, a atrasilda". Ê vida cruel! Mas tudo bem, é até legal.

*Pliiiiiiim*. Oba! Chegou energia!

Vou ligar o computador.

Dez minutos depois


Desgraça de computador, desgraça de internet! Não está funcionando essa internet. É sempre assim, quando falta energia, e eu ligo o computador a internet não funciona. O jeito é dormir. Amanhã o dia vai ser longo. E ainda tenho que acordar cedo, mais cedo ainda, pra fazer o almoço. Vida corrida! Mas é a vida que eu escolhi e que lentamente (ou nem tanto) vou aprendendo a trilhar, a viver.


(Erica Ferro)

2 comentários:

Letícia disse...

A vida sozinha não é tão fácil, por experiência própria. Mesmo com amigos, que eram meus amores, nunca é a mesma coisa.
A gente se acostuma, mas não devia.

;*

Daniel disse...

"viver é uma questão de motivos, se vc não tem um...faça da busca de um motivo o seu motivo"

 
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