Um pouco de angústia

em terça-feira, julho 13, 2010
"...Ela me olhou - Vem!
Quem sabe com ela
Eu veria as tardes
Que sempre me faltaram
Como miragens, como ilusão!..."
(Ali-Skank)


As mãos nos bolsos era um sinal para quem a conhecia: ela não estava bem, mas estava se controlando para mostrar que deveria estar.
Foi naquela tarde, depois de desligar o celular com lágrimas nos olhos que percebeu o quanto era realmente insignificante qualquer coisa que tentasse. Ele nunca iria mudar, e ela sabia disso desde sempre. Desde os quinze anos, quando ele entrou naquela sala estranha com pessoas estranhas. As coisas deram certo, eles deram certo. Porém, com prazo de validade.
Sempre que estava nervosa, as mãos dela suavam. Era seu sinal, havia algo errado, ou certo demais para ser verdade. Mas, naquele dia de noite, que as mãos estavam nos bolsos, havia algo muito errado.
Sentada sozinha passou a colocar os pingos nos i's, juntou peças e os acontecimentos ao seu redor. As pessoas não se importavam mais. Pra quê elas deveriam se importar? Os sentimentos são mutáveis, exceto o amor. Tinha uma concepção de amor: respeito, carinho, fidelidade, companheirismo e amizade, acima de tudo. Para ela, a amizade era o primeiro passo para amar. E mesmo que o acreditado amor seja só uma paixonite, a amizade prevalece. Ele nunca a amara. Eles nunca deram o primeiro passo. Nunca foram sinceramente e somente amigos. Havia algo mais naqueles olhares. Havia desejo, e não amor.
Enterrou-se nos edredons depois de trocar de roupa. Não queria falar com ninguém. Ela, seus pensamentos e sua melhor companhia: a solidão. Precisava pensar, reorganizar. O mundo estava de cabeça pra baixo.
Reconheceu que ninguém nunca soube amá-la como ela ainda sabe amar. Amor acontece, amizade acontece. Mas faltou um pouco de clareza em muitos aspectos de todos que já haviam passado na sua vida.

Daquele dia em diante, ela passou a desacreditar no amor. Em amar. Mas nunca perdeu a esperança de ser verdadeiramente amada. Porém, a camisola continuava desbotada. E os ededrons muito mais quentes que os braços de qualquer homem.
Letícia Christmann

3 comentários:

uma criança. disse...

Ou aprendemos a conviver com a solidão, ou estamos realmente sozinhos.
Amor acontece uma vez. O resto é apenas paixão. Se não foi, não havia de ser.
Sentirá quando o Amor verdadeiro vier, e ele nunca mais irá se separar de ti.

Foda, Letícia!

Erica disse...

Quando a gente nem acredita mais no amor, que possa finalmente viver um amor recíproco, vem a vida e nos surpreende.

Lindo texto, Lê!

Beijo.

[http://ericaferro.blogspot.com/]

Karol Coelho disse...

Amo essa música do Skank!

E o exto, maravilhoso. Triste, mas lindo.

 
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