A casa da árvore

em domingo, janeiro 17, 2010
(Inspirado em Mais e Menos)

E na casa da árvore entretinha-se imaginando a preocupação de todos ao darem por seu sumiço. Com o tempo, se acostumariam à idéia de viver sem a presença dele e, sem dúvida, se sentiriam aliviados. Não passariam mais pelo constrangimento de ter que justificar seu modos selvagens, sua costumeira clausura, seu silêncio telepático e aquela velha mania de transformar a vida em teorema. E na casa da árvore veria os anos caminharem lentos no compasso de cada dia de sol, eclipse e tempestade. E cravaria a sorte no tronco espesso que sustentaria seu mundo. E na casa da árvore fabricaria histórias frondosas das pessoas que habitavam as cavernas de seu coração. Plantaria as sementes na certeza de que alguém, algum dia, colheria seus frutos. Aos domingos, tomaria chá ouvindo Sinatra num radinho de pilha carregando no olhar a certeza de ter feito as coisas do seu jeito. E já não seria mais necessário contemporizar seus modos bravios, sua reclusão habitual, e aquela velha mania de transfomar a morte em teorema.
Por Maíra Viana em O Teatro Mágico em Palavras

É, as vezes a vontade é de sumir. E não precisar se explicar.
Postado por Letícia Christmann

3 comentários:

Rebeca Postigo disse...

Precisamos mesmo explicar?

Bjs

Erica Ferro disse...

Eu sempre quis ter uma casa na árvore... E sumir também.
Da casa na árvore eu não abro mão, mas não sonho tanto com isso agora. E sumir... ah, sumir sempre dá vontade, ou certas vezes...
Depois eu canso e resolvo impor minha presença.

Beijo, Lê.

Jééh disse...

que refúgio maravilhoso esse hein, e ao som de Frank Sinatra, de muito bom gosto ^^

 
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